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2 de março de 2014
Opinião - O Clube de Macau
Macau, 1984: um juiz (o futuro procurador-geral da República), três polícias, um médico e um apresentador da televisão formam um bordel secreto a que chamam Clube de Macau, recorrendo a adolescentes chinesas dispostas a pagar o preço mais elevado para fugirem da China para o Ocidente. Quando uma delas é assassinada, o Clube de Macau dissolve-se.
Mas vinte anos mais tarde, em Lisboa, os antigos membros voltam a encontrar-se quando o procurador-geral pretende candidatar-se à Presidência da República. A ambição cruza-se então com o escândalo de pedofilia, e, desta vez, não é o prazer que espera os antigos membros do Clube de Macau, mas uma guerra sem tréguas.
Inspirado pelo Processo Casa Pia, O Clube de Macau é o terceiro romance de Pedro G. Rosado sobre os submundos da realidade portuguesa, depois de Crimes Solitários e de Ulianov e o Diabo, completando a trilogia O Estado do Crime.
Opinião:
O Clube de Macau é o volume final da trilogia "O Estado do Crime" escrita por Pedro Garcia Rosado, o mesmo é inspirado pelo Processo Casa Pia, que abalou Portugal em 2002.
Em 1984 um grupo de portugueses residentes em Macau, que então ainda se encontrava na posse de Portugal, decide usar as suas influências para criar um bordel privado só para seu uso recorrendo ao uso de jovens chinesas que querem fugir de uma vida de pobreza. Esse bordel foi baptizado como Clube de Macau, e só é dissolvido após uma trágica morte.
Este livro aborda a corrupção nas mais altas esferas da política, com pessoas muitos poderosas a perverter a lei parece seu próprio benefício, e a usar informações sobre diversos crimes de pessoas importantes como forma de pressão.
O enredo está bem construído, apesar de ter algumas partes algo previsíveis, o ritmo de escrita no final está simplesmente arrasador, as cenas de maior violência estão descritas de forma dura mas muito realista e todos estes ingredientes tornam este livro numa obra muito agradável de se ler.
Pedro Garcia Rosado é sem dúvida um mestre do thriller nacional.
Avaliação: 8-10
17 de fevereiro de 2014
Opinião - Crimes Solitários
Uma noite, num dos mais belos restaurantes do Alentejo, um comerciante de negócios escuros chamado Eduardo Cortes revela publicamente um segredo embaraçoso, vingando-se da perseguição que lhe movem um inspector da Policia Judiciaria, Diogo Teixeira, e um jornalista especializado em casos de polícia, José Ricardo. Três anos depois, o mesmo Eduardo Cortes comete um homicídio mas, apesar do cuidado que põe na organização do crime para não se tornar suspeito, dá um pequeno passo em falso- um passo que só José Ricardo tem conhecimento, este, porém, não pode denunciá-lo sem se expor demasiado, pelo que se socorre do seu amigo Lisboa, Diogo Teixeira.
Está, pois , criado o ambiente para que os dois se ponham em campo para ajustarem contas antigas e resolverem um crime que podia ficar por resolver. Mas a caçada fará rolar muitas cabeças para além de Eduardo Cortes numa batalha em que dificilmente poderá haver vencedores.Opinião:
Crimes Solitários foi o primeiro livro publicado de Pedro Garcia Rosado. Este livro inicia a trilogia de nome "O Estado do Crime" da qual eu já li o segundo volume, "Ulianov e o Diabo".
Eduardo Cortes é um revendedor de carros usados que mora em Montemor-o-Novo. Certo dia recebe a visita de um misterioso homem de origem basca no seu stand e, essa visita pode o tornar-lo num homem muito rico.
José Ricardo é um jornalista que escreve sobre casos de polícia, e que reencontra numa cena de crime um antigo colega de faculdade, Diogo Teixeira, que agora é agente da PJ. Encontro que os levará a criar uma forte ligação profissional e pessoal.
Este livro ao contrário dos livros que li do autor aborda menos a corrupção da classe política, aborda de forma aberta alguns assuntos tabus da sociedade moderna. Mas as descrições das cenas de maior violência continuam num tom muito gráfico e que pessoalmente agrada-me.
Sem ter um ritmo tão frenético, e um enredo mais previsível, normal por se tratar do primeiro livro escrito, não deixou de ser uma obra que me conseguiu agarrar. Pedro Garcia Rosado é sem dúvida um autor que merece maior notoriedade no panorama nacional.
Avaliação: 7-10
19 de janeiro de 2014
Entrevista a Pedro Garcia Rosado
O próximo entrevistado é Pedro Garcia Rosado. Autor das séries policiais "O Estado do Crime", "Não Matarás" e "As Investigações de Gabriel Ponte", que usam sempre como pano de fundo a realidade portuguesa e que abordam temas polêmicos.
Quero agradecer ao Pedro Garcia Rosado a disponibilidade para fazer esta entrevista.
O próximo livro, "Morte nas Trevas", vai ser publicado em Maio, e já tem a partcipação confirmada de Joel Franco e Ulianov.
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| O Estado do Crime |
- Gabriel Ponte e Joel Franco são dois protagonistas dos seus livros. Como é que os criou? Qual as principais diferenças entre eles?
A literatura policial requer, normalmente, um investigador criminal como herói, ou como protagonista principal. A legislação portuguesa comete essa função, no que se refere ao crime de homicídio (que é o elemento fundamental de qualquer história deste género literário), à Polícia Judiciária. A criação de uma série, de várias histórias com um protagonista fixo, requeria um investigador criminal e ele devia ser, inevitavelmente, um inspector da PJ, da Secção de Homicídios, de preferência com experiência noutras áreas para o âmbito das histórias poder ser alargado. Foi desse modo que nasceu Joel Franco, como um investigador bem integrado no sistema, e com base na recolha de informações sobre as circunstâncias reais da actividade da PJ. Quando a série “Não Matarás” ficou parada, por motivos que me são alheios, não quis fazer um “clone” de Joel Franco e nasceu então a figura de Gabriel Ponte, como uma espécie de inspector de algum modo renegado. Gabriel Ponte tem maior liberdade de movimentos (e talvez precise dela se começar a investigar alguns casos por conta própria...) mas Joel Franco, apesar de ser um homem mudado e de certa forma revoltado, continua na PJ, como investigador. E os seus caminhos vão cruzar-se.
- Usa sempre Portugal como cenário principal dos seus livros, porque essa aposta?
Quando pensei em escrever histórias, e de acordo com as minhas preferências literárias (nessa altura na área do fantástico), pensei que seria impossível encontrar cenários para histórias de mistério, ou de crime, num país tão pequeno como Portugal. Mas depois, quando a certa altura, pensei em começar a desenvolver uma história com a dimensão de poder ser livro, se tivesse qualidade para tal, percebi que havia espaço, geográfico e não só, para contar histórias passadas no nosso país, aproveitando cenários que conhecia, como foi o caso do Alentejo, em “Crimes Solitários”, o meu primeiro “thriller”, em 2004. Dez anos depois continuo a pensar que a realidade geográfica e social é óptima para muitas histórias – Caldas da Rainha, em cujo concelho vivo, já forneceu cenários para “O Clube de Macau” (2007), “A Guerra de Gil” (2008), “Triângulo” (2012), “Morte com Vista para o Mar” (2013) e agora “Morte nas Trevas” (2014). E Lisboa e os seus subúrbios têm muito que explorar e aproveitei a cidade para “Ulianov e o Diabo” (2006), “A Cidade do Medo” (2010), “Vermelho da Cor do Sangue” (2011) e “Morte na Arena” (2013). E em 2015 talvez Gabriel Ponte vá até ao Alentejo...
- Nos seus livros aborda diversos assuntos polêmicos como a corrupção, emigração ilegal e o tráfico de influências, acha que a nossa realidade é assim tão negra?
Não é, mas a literatura policial tem de viver desses aspectos mais sombrios da sociedade e eles existem. Eu recolho a inspiração, principalmente, do que vou vendo nos jornais e essa realidade portuguesa mais sórdida tem sido tratada com toda a plausibilidade, o que é essencial, respeitando a fronteira entre a ficção e a reportagem mas aceitando que a vida real e os seus protagonistas invadam as minhas histórias.
- Além de ser escritor, você também é tradutor, quais são os livros que mais gostou de traduzir?
Retenho cinco, dos cerca de cinquenta que já traduzi desde 2007: o mais recente foi o primeiro volume de “The Story of de the Jew”, do historiador Simon Schama (Temas e Debates), que é uma obra admirável sobre o judaísmo e os judeus; “Tríptico”, de Karin Slaughter (Topseller), um “thriller” perfeito que eu já tinha lido há vários anos e que redescobri ao traduzir; “Cada Dia, Cada Hora”, da romancista croata Nataša Dragnić (Porto Editora), uma bela história de amor; “Cornos”, de Joe Hill (1001 Mundos), uma combinação notável de uma história de amor com uma história de terror; e “Aliança”, do jornalista Jonathan Fenby (Quid Novi), um relato empolgante sobre a aliança Roosevelt – Churchill – Estaline.;
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| Não Matarás |
- Para si, qual é a importância dos blogues na divulgação de livros?
O desaparecimento da crítica literária objectiva e independente de modas e favoritismos da imprensa, em geral, deixou um abismo difícil de atravessar – como é que os livros que vão saindo chegam ao conhecimento do público com uma opinião alheia aos editores e aos autores? Os blogues literários estão a cumprir essa função e da melhor maneira: os seus autores estão a ler, de acordo com as suas preferências literárias, e estão a dar opinião. E estão mais acessíveis – “on line”. Penso que os blogues literários poderão evoluir, pelo menos alguns, para sites mais estruturados sobre livros e, inclusivamente, encontrarem alguma forma de se sustentarem, alargando ainda mais a sua intervenção. E há mais: os seus autores, porque gostam de ler e têm opinião sobre aquilo de que gostam e não gostam, poderão estar até melhor preparados do que os jornalistas que, em alguns casos, parecem, parecem mais permeáveis a editoras do que a autores e géneros literários, sem memória e sem conhecimentos.
- De onde nasceu o seu interesse pela literatura?
Sempre me lembro de ter livros em casa, desde que comecei a ler, desde aventuras juvenis (de René Guillot, Jules Verne, Edgar Rice Burroughs, Emilio Salgari) aos géneros que depois fui procurar por interesse própria (fantástico, FC, mais tarde o policial, a banda desenhada franco-belga mas também a americana). E depois fui lendo sempre, com a regularidade com que ia ao cinema. Mesmo com menos tempo há sempre um livro por perto, a ser lido ou à espera de ser lido.
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| As Investigações de Gabriel Ponte |
- Quais os seus escritores preferidos?
Actualmente, Carl Hiaasen, Harlan Coben, James Ellroy, John Le Carré, Karin Slaughter, Lee Child (por enquanto...), Stephen King (às vezes) e a grande, muito grande, Ruth Rendell.
-
Já tem mais projectos em mente?
A
série começada com “Morte com Vista para o Mar”, com Gabriel
Ponte, já me ocupa bastante (o quarto livro da série sairá em
2015, tendo para já “A Morte da Honra” como “working title”)
e há uma convergência e uma cumplicidade muito grandes com a
Topseller, que muito me agrada, quanto à sua continuação, enquanto
tal for possível. Mas tenho em mente escrever um romance, diferente
no estilo, sobre o jornalismo e os jornalistas. Dos meus mais de
vinte anos como jornalista reuni muitas histórias, pessoais e
outras, que podem dar um bom romance, quando passadas para o quadro
de crise em que a Imprensa vive.
18 de novembro de 2013
Opinião - Ulianov e o Diabo
Pedro G. Rosado leva-nos ao velho coração de Lisboa, à beira do Tejo, onde um emigrante russo com o nome de guerra Ulianov, ex-agente do KGB e ex-presidiário, é arrastado para a batalha mais difícil da sua vida, quando a sua irmã desaparece. Em "Ulianov e o Diabo" vamos também conhecer o inferno das cavernas subterrâneas da Lisboa ribeirinha, de onde emerge o sem-abrigo que guarda o segredo do desaparecimento da irmã de Ullianov.
Opinião:
Ulianov e o Diabo, é o segundo livro publicado por Pedro Garcia Rosado, onde a personagem principal é um emigrante russo conhecido por Ulianov.
Ulianov, é a alcunha de Serguei Denisovich Tchekhov, um antigo major da KGB, que veio para Portugal como membro de um grupo criminoso e que depois de ter sido preso torna-se num operário civil. E que ao ser informado do desaparecimento da sua irmã, Irina, tem a difícil tarefa de descobrir o que lhe aconteceu.
Neste livro aparece uma misteriosa personagem que eu já tinha conhecido no "Morte na Arena" que é um antigo combate na guerra colonial que agora morra nos subterrâneos de Lisboa.
Tal como os anteriores livros que li do autor o ritmo desta história é elevado e não tem medo de descrever as cenas mais violentas de uma forma crua mas realista.
Pedro Garcia Rosado é sem dúvida a minha grande "descoberta" de 2013 no panorama nacional.
Avaliação: 8-10
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